O Sopão de Filmes existe há três anos. Alan conta que no começo não era tido como um cineclube. Depois ele começou a perceber que existiam vários outros movimentos do gênero na cidade que começaram a dialogar entre si. Os cineclubes de Florianópolis se reúnem desde março, período em que puderam conhecer trabalho uns dos outros. “No encontro de hoje, ampliamos a rede de contatos e descobrimos que tem gente do interior querendo montar cineclube”, diz Renato, do Sol da Terra.
Para Alan, a reunião no FAM serviu basicamente para atualizar informações. “Boa parte do que nós queríamos fazer aqui era discutir o que é um cineclube, tem algumas pessoas querendo montar, então serviu para esclarecer o que é cineclubismo, quais funcionam aqui em Floripa, e como cada um opera, se tem autorização para mostrar, se cobra ou não”, completa.
Felipe Morais, do Cineclube Rogério Sganzerla, espera uma maior organização a partir do encontro: “O principal de tudo foi oficializar esse desejo de sistematizar uma organização para fortalecer os cineclubes em Florianópolis”, pondera.
Já na segunda década do século passado, a insatisfação com os modelos rígidos estabelecidos pela indústria cinematográfica, a decepção com a submissão dos realizadores às regras dos estúdios, a revolta com a censura, e a preocupação com a afirmação de cinemas nacionais que retratassem outras culturas e modos de vida, levou muita gente, em todo o mundo, a procurar alternativas.
Os cineclubes surgem dessa inquietação, como um espaço livre, diverso e democrático em contraposição às exigências mercadológicas uniformizantes do cinema comercial.
Nessa perspectiva, os cineclubes brasileiros sempre tiveram importância decisiva na afirmação de uma cinematografia brasileira autônoma e na difusão de olhares múltiplos. Sobrevivendo às crises, à ditadura e ao sufocamento causado pelos mercados hegemônicos, a história do cineclubismo brasileiro é uma história de resistência.
Desde a década de 50 do século passado, existem registros da atividade cineclubista em Santa Catarina. Hoje, em Florianópolis, os diversos cineclubes atuantes vivem um momento de organização que acompanha a crescente revitalização do movimento cineclubista.
Os cineclubes de Florianópolis ( www.cineclubesfloripa.blogspot.com
O Cineclube Rogério Sganzerla, vinculado ao recém criado Curso de Cinema da UFSC, concentra-se em exibir clássicos do cinema mundial e brasileiro, discutí-los e produzir análises disponíveis no www.cineclube.ufsc.br.
O Sopão de Filmes exibe curtas de produção alternativa regados à sopa e alegria no ambiente descontraído do Pomar das Artes, na Agronômica.
O Cineclube Plasticine produz regularmente sessões temáticas na FAED, UDESC ou UFSC e divulga sua programação diversificada no plasticineclube.blogspot.com.
O Cineclube Sol Da Terra promove mostras e ciclos na sala de cinema do Espaço Sol da Terra, na Lagoa da Conceição.







